Tenho o Dom de Amar e o Privilégio de ser Amada.

13
Out 10

Eu estava num dia não. Não me apetecia falar com ninguém, não me apetecia estar nas aulas, não me apetecia estudar, não me apetecia sequer respirar.

Para onde quer que olhasse sentia a tua presença inoportuna, a tua força irremediável, a tua personalidade forte que não se deixava demover. E isso assustava-me. Tu não estavas lá, mas eu conseguia ver-te. Estava aterrorizada.

Deixei a minha voz ganhar força, e quando saí da escola, ao entrar no bosque dos desejos, sussurrei o teu nome. Nada. Levantei a voz... Nada. Gritei. Nada. As lágrimas rolaram-me pelas faces ruborizadas pelo calor do momento. Voltei a gritar. Gritei até já não ter mais voz. Mesmo estando sem voz e só podendo sussurrar não desisti. Tentei tudo, corri contra o vento, lutei contra a chuva, envelheci com o Sol. Mas tu não vinhas. Ia-me matando lentamente procurando por ti e tu nem te interessavas!

As horas foram passando e com elas os dias e as semanas, os meses, os anos. Calmamente ia envelhecendo e percebia que não era assim tão importante para ti quanto julgava. Tinha esperado por ti, tinha sucumbido aos teus desejos e também aos meus, tenho de admitir, tinha procurado e continuava sem ti!

Tentei dar desculpas à tua ausência. Procurei desculpas, afirmações passadas que me dessem alguma pista do teu paradeiro. Aos poucos e poucos tudo se ia desvanecendo. Tudo o que tinha para provar que tu existias e que tinhas passado pela minha vida era o doce sabor dos teus lábios e o teu suave aroma que me preenchia por dentro.

Fui ficando cada vez mais velha. E velha e velha e velha. Não morri de exaustão, porque nunca me senti exausta nesta busca impensável. Morri de amor.

Quando percebi que estava a ficar sem tempo, disse a única palavra que ainda não tinha sido capaz de pronunciar, mas que sabia que tu sabias. Já não me conseguia levantar, e a voz estava mais fraca do que nunca. De olhos fechados pronunciei: "Amo-te... Sempre te amei".

E quando os abri, estavas ali.  Na beleza celeste dos teus 16 anos. O teu sorriso imaculado dirigido a mim e os olhos brilhantes embargaram os meus de lágrimas.

"Esperei tanto tempo que dissesses essas palavras. Foi preciso uma eternidade para as conseguires pronunciar. Não sabes o quanto sofri, o quanto esperei por ti. Gostava de poder passar mais tempo contigo, mas o nosso tempo esgotou-se."

Abraçaste-me. Eu senti-me reconfortada pela sensação de dever cumprido. O teu aperto foi carinhoso e fez-me relembrar tempos idos. Quando eu ainda era jovem e saudável.

Estendi a minha mão enrugada até chegar à tua face. Naquele momento, senti-me exactamente igual a quando me tomaste nos teus braços e me beijaste.

Senti que o momento estava a chegar e puxei-te para mim. Cedeste à pouca pressão que exerci contra ti e esmagaste os teus lábios nos meus. A última palavra que ouvi antes de fechar os olhos e deixar-me ir pela luz que me rodeava foi o teu "Amo-te" sussurrado ao meu ouvido.

teoria feita por Mags às 20:18
tags:

OMG! (olhinhos brilhantes **) tão triste mais uma vez...O tempo passou, passou...e já era tarde demais...:'( (sem palavras...puff) Contudo, ela morreu feliz e reconfortada! :) eheh
adeus e até á próxima querida.
Adriana.
Adriana a 17 de Outubro de 2010 às 00:39

Outubro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

14
15

22
23

24



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Vamos contar o tempo...
PitaPata Dog tickers
Ajudar e...
760 50 10 95
...Prevenir!
"Orgulho naquilo em que acredito!"
pesquisar
 
"Exige muito de ti e espera pouco dos outros!"
Está verde? Podes falar!
blogs SAPO